Extraído de: Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro  - 11 de Maio de 2009

PROTESTO PELA PAZ NA ESCADARIA DA ALERJ CHAMA ATENÇÃO DA POPULAÇÃO

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As escadarias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) foram palco, na manhã desta segunda-feira (11/05), de uma manifestação da Organização não Governamental (ONG) Rio de Paz, que espalhou 17 mil pedras brancas em memória das vitimas de violência no Estado nos últimos 28 meses. A organização pretende entregar ao governador Sérgio Cabral uma carta cobrando explicações e mais transparência dos órgãos de segurança publica. Antônio Carlos Costa, presidente da ONG, pede ainda a ajuda do Poder Legislativo para reduzir o número de mortes no Rio e comenta o caos enfrentado pela população. "Hoje, a situação do Rio é catastrófica. Há muito tempo a polícia não mata tanto sem que algum resultado seja apresentado. Nós entendemos que o governo está enfrentando um problema crônico, histórico e que não tem origem nele próprio. A solução passa sem dúvida pela melhor formação e apoio ao policial. Chega a ser obsceno a realidade desses profissionais", comentou Antônio Carlos, que acredita no poder da informação de atividades desse tipo.

O protesto tem como objetivo lutar contra a violência no Brasil, principalmente as mortes intencionais, além de exigir que os direitos humanos sejam respeitados, alertar e mobilizar a sociedade civil para o problema e promover pesquisas para aprimorar as ações de segurança pública. Os manifestantes ainda cobram o destino de pessoas desaparecidas e o acesso diário ao banco de dados das policias civil e militar, a fim de monitorar todas as ocorrências de mortes intencionais. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), são 9.728 desaparecidos nos anos de 2007 e 2008, mas Antônio Carlos acredita que esse número seja ainda maior. "Os dados que nós temos são assustadores. Nós acreditamos que o número de desaparecidos já seja de 11 mil e vá aumentar ainda mais em 2009. E essa é uma projeção otimista. Mata-se muito mais do que é anunciado", disse o presidente da Ong, que ainda apresentou os números de 11.850 homicídios dolosos, 2.467 autos de resistência (morte em confronto com a polícia), 427 latrocínios (roubo seguido de morte), 58 policiais mortos em serviço e 147.383 vitimas de lesões corporais graves.

Varias pessoas que passavam pelo Centro da cidade presenciaram a ação do grupo e se mostraram chocadas com os números. Apesar de assustados com a violência na cidade alguns moradores afirmaram que a população não tem feito muita coisa e admitem que somente um caso próximo possa mobilizar. "Eu acho valido esse tipo de ação. Alguém precisa se mobilizar com o que vem acontecendo. O povo tem como característica se chocar na hora e depois seguir suas vidas como se nada tivesse acontecido. Eu mesmo vou sair daqui e vou continuar meu dia, vou para faculdade e me envolver com outros problemas. A segurança é algo grave", admite Alexandre Ramires, de 22 anos, estudante do curso de história da Univercidade. Já o publicitário Cláudio Costa Lethieri, de 47 anos, não acredita no poder de trabalhos como esses. "Eu até fico chocado com esses números, mas acho que esse tipo de atitude só serve para tirar foto e não significa nada. O que precisa ser feito é bater de frente e exigir mudanças. É preciso enfrentar, caso contrário nada mudará", comentou.

O tenente-coronel Carballo, da Policia Militar, integrante do grupo, criticou a população fluminense, que, na sua opinião, não sabe como participar e cobrar dos poderes públicos. "A população vive em estado permanente de medo e não participa como deveria. Se tivéssemos um 'pop star' presente aqui as pessoas estariam participando. Nós estamos muito verdes em relação à cidadania", lamenta Carballo. A manifestação começou nas primeiras horas do dia, quando 30 voluntários começaram a montar o cenário do protesto. A Ong Rio de Paz teve início em 2007 e se notabilizou por ações que chocam a população, defendem os direitos humanos e cobram melhorias na segurança pública.

A atividade seguirá até as 19h e a programação conta com homenagem aos policiais militares assassinados nos últimos 28 meses, uma dramatização de 5 minutos representando os 3 macaquinhos de olhos, ouvidos e boca fechadas e 5 minutos de silencio com velas acesas. Durante toda atividade serão coletadas assinaturas dos deputados estaduais do Rio de Janeiro em apoio à carta enviada ao governador.

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Disponível em: http://www.jusbrasil.com.br/noticias/1053250/protesto-pela-paz-na-escadaria-da-alerj-chama-atencao-da-populacao

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